segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sinopse do conto "O espelho" de Machado de Assis

Aquele que se vê no espelho é muito mais rico do que a imagem que ele vê. Essa imagem é a maneira como os outros o veem. O conto tem como espaço físico Santa Tereza, um bairro bucólico de classe média no Rio de Janeiro onde, à época, residiam muitos funcionários públicos. Se passa no final do século XIX. O texto começa com presença de ironia, que aparece no trecho que diz que os cavalheiros resolviam os mais árduos problemas do universo. Talvez por conta da sabedoria e hierarquia mantinham-se amigáveis. O “quatro ou cinco” deve-se ao fato do quinto cavalheiro estar calado, cochilando, mas é descrito como capitalista, inteligente, provinciano. O fato de não discutir justifica-se por seus princípios, mas ele mostra ser alguém que se coloca acima dos outros. Uma vez que diz que a discussão é “bestial”, compara-se aos Serafins e Querubins, que não se controvertiam eram a perfeição. O pequeno diálogo mostra uma conversa dentre “cavalheiros”. O personagem descrito como Casmurro monopoliza a conversa no meio da noite . “Pensando bem...” já estavam na discussão sobre a alma. Todos tinham uma opinião diferente. Pedem a opinião da personagem, ele enfatiza que fará um discurso, de cunho performativo, e impõe que os outros fiquem calados. Logo no início de sua afirmação sobre a existência de duas almas - e não uma só - reforça a ideia de que não admite réplicas e ameaça deixar o local caso isso aconteça. A comparação do homem com a laranja é uma metáfora intrigante, já que a fruta, tipicamente brasileira, quando cortada ao meio parece o sol, podendo ser feita aí uma relação de sol – luz – conhecimento. A perda de uma das metades (almas) implica na perda de metade da existência e em alguns casos, a da existência inteira, explica citando o caso do judeu que perdeu seus ducados e sente-se morto devido a isso. O cavalheiro explica ainda que a alma exterior não é sempre a mesma, e que não se refere a almas como de Camões, César e Cromwell que ele chama de exclusivas, possivelmente pelo fato de serem figuras que morriam pela pátria. Exemplos de evolução do valor da alma exterior, digo evolução hierárquica, do menor para o maior. Quando cita a senhora cuja alma exterior muda constantemente de acordo com a estação e diz ser o nome dessa senhora Legião e parenta do demônio, parece referir-se aos seres que vendem a alma ao diabo, vendem a interior e vivem das mutações da exterior, já que a outra não mais lhes pertence. O cavalheiro consegue fazer com que os quatro também cavalheiros esqueçam a controvérsia e atentem-se apenas aos seus relatos, prometendo um episódio ocorrido nos seus vinte e cinco anos. A atenção na sala é apenas para as suas palavras e os olhares parecem contemplar um deus da sabedoria. Começa a sua narração já deixando claro que era pobre e fora nomeado alferes da guarda nacional, relata o orgulho da família e o despeito de outros que almejavam o cargo de uma forma peculiar que nos leva a imaginar o ranger de dentes. O título de alferes é mostrado de maneira sarcástica quando todos querem demonstrar sua satisfação, até mesmo a tia que o mantém no sítio, o abraça e exalta de forma exagerada, demonstrando dessa forma o valor que o ser humano dá ao “externo”. Esse valor é reforçado com a atitude de todos, que chamam-no de “O alferes”. “Senhor Alferes” tinha deixado de ser o Joãozinho para eles, mostra aqui o valor de um título. O fato de ser o primeiro servido, o espelho que a tia havia colocado em seu quarto, embora velho, ainda poderia ser olhado como uma peça rica. O fato de o espelho ter sido retirado para compor o ambiente do Senhor Alferes e fazer parte da decoração da sala, além de ser a melhor peça ali exposta demonstra uma vez mais o valor dado ao exterior, no qual o ser humano está impregnado. Quando relata sua transformação e diz que o alferes eliminou o homem, entende-se que a alma exterior - que antes valorizava as coisas simples como “o olhar da moça” - passaria agora a matéria, possuindo valor apenas material. A parte materialista toma conta do ser, impregnando-o e dispersando a sua outra parte: laranja – sol – sabedoria. “O alferes eliminou o homem”. A saída repentina da tia em viagem e os escravos aproveitando-se do momento oportuno para abandonarem a casa faz com que Jacobina fique abismada com toda sua solidão e os penosos dias angustiada pela repentina perda de sua alma exterior, uma vez que a interior se tornou dependente daquela. Deixa nítido o quanto os elogios e mimos haviam se tornado importantes para ele, que vivia agora do externo. Permaneceu no sítio sem olhar-se no espelho, inconsciente. Receava encontrar-se em dois, quando decidiu olhar, espantou-se ao ver uma imagem difusa – a imagem refletida que não conseguia ver com nitidez parecia ser a interior mesclada a exterior, praticamente encoberta. Decide vestir-se com a farda de alferes. Algo naquela imagem difusa o incomodava. Enquanto vestia-se, olhava em direção ao espelho, onde via sempre uma sombra, algo indefinido. Quando termina de vestir-se e olha novamente para o espelho, que reflete o seu eu exterior integralmente, sente-se como se despertasse de um sono. Ao narrar as sensações olhando-se no espelho, demonstra o quanto a alma exterior o preenchia, contando que conseguiu atravessar mais seis dias de solidão sem os sentir, vivendo esses dias da sua alma exterior. Machado exprime a mascaração, ambiguidade e fragilidade do ser humano. O fato de o conto terminar com a retirada de Jacobina da sala sem aguardar indagações reforça a ideia a respeito da personagem que despreza a discussão única e simplesmente pelo fato de desprezá-la, e mais: o ser humano aparece aqui como algo inacabado e que vive envolto de uma mascaração de aparência e sentidos. http://teorialiterariaufrj.blogspot.com.br/2009/06/analise-o-espelho-machado-de-assis.html

Sinopse do conto "Teoria do Medalhão" de Machado de Assis

No conto “Teoria do Medalhão”, escrito por Machado de Assis e que faz parte do livro Papéis Avulsos, encontramos o diálogo após o jantar de comemoração dos 21 anos do filho nascido em 05 de agosto de 1854, ou seja, o dia da maioridade, do filho. A conversa começa as 11 horas. O pai pede para o filho deixar de denguices e fechar a porta para que tenham uma conversa sincera na qual falará de coisas importantes, então começa a elaborar as possibilidades do filho, nelas ele coloca algumas apólices, um diploma, e com isso o filho Janjão pode entrar no parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Mostrando as carreiras que ele poderá seguir. Mas enfatiza que, qualquer que seja a profissão da escolha do filho, o pai deseja que ele se faça grande e ilustre, ou pelo menos notável, que se levantes acima da obscuridade comum. O filho concorda com as acepções do pai e questiona que tipo de profissão ele aconselha. Sendo assim é aconselhado a ser medalhão, que teria sido o desejo do pai na mocidade e que não teve quem lhe orientasse e vai depositar no filho a esperança que este consiga. Janjão terá que conter os improvisos da idade para que quando chegar aos 45 anos possa entrar no regime do aprumo e do compasso. Ele questiona do pai porquê a idade de 45 anos, que lhe explica que o verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os 45 e 50 anos, alguns exemplos se dão entre os 55 e os 60; mas estes são raros. Há também de os 45, e outros mais precoces, de 35 e de 30; não são, todavia, vulgares. Diz não falar dos de 20 e 25, porque os mais jovens é um privilégio do gênio. Mas para ser medalhão deve-se ter cuidado com as idéias e o melhor é não tê-las, e se tivê-las é melhor escondê-las até a morte, o que não é exercício fácil, mas o filho é pobre de idéias e serve para o ofício. Se com a idade, surgirem idéias próprias, há meios para aparelhar o espírito e livrar-se delas e assim, enumera alguns desses meios para que seja possível brilhar. O filho questiona a expressão corporal necessária a certas profissões e o pai lhe responde que são necessárias e uma das posturas consiste de não andar sozinho, pois a solidão é a oficina das idéias, mesclamdo-se a multidão dissipa-se as idéias. Deve-se freqüentar bibliotecas de quando em quando para falar dos boatos do dia, da anedota da semana, de um contrabando, de uma calúnia, de um cometa, de qualquer coisa, ou interrogar os leitores habituais das belas crônicas de Mazade; o resultado disso será a estima de 75% dos cavalheiros que irão repetir as mesmas opiniões monótonas, o que é saudável, pois em no máximo 2 anos se reduz as idéias ao equilíbrio comum, você se torna capaz de pensar o pensado. Será necessário apenas sugerir uma hipótese poupando os outros ao seu discurso prolixo. A profissão parece difícil ao filho, mas o pai alega que ainda não terminou, o medalhão não precisar pensar, basta realizar um jantar para os concidadãos e fazer seu nome aparecer em todos os lugares, não tomando nenhum partido e agradando a todos e será benquisto em todos os lugares, independente da filiação política ou do grupo a que pertençam, basta adotar discursos metafísicos e que não sejam invejáveis, nem originais, podendo empregar o riso, mas um riso misterioso e sem ironia, concluindo assim na hora da meia-noite a conversa e mandado o filho refletir sobre tudo. Fonte: http://pt.shvoong.com/books/novel-novella/1675307-teoria-medalh%C3%A3o/#ixzz1wqts10bU

Sinopse do conto "O enfermeiro" de Machado de Assis

O conto “O ENFERMEIRO” de Machado de Assis, narrado em primeira pessoa, com foco narrativo no próprio personagem principal e protagonista Procópio. Fazia trabalhos de copista para uma paróquia da sua região, quando o vigário lhe pediu que prestasse serviços de enfermeiro a um Coronel, a seu pedido, pois estava muito doente e precisava de uma companhia. Procópio soube que o homem, apesar de precisar deste tipo serviço, tratava mal todos que lá iam e com isso ninguém ficava no emprego, mesmo sendo tão bem pago. Como Procópio estava cansado do trabalho de copista resolveu aceitar o emprego. Quando lá chegou não demorou mais que sete dias para que Procópio ficasse tão chateado como os seus colegas que por lá passaram. O homem o xingava, falava palavrões o tempo todo, o que o deixou bastante constrangido. Pensou em abandonar tudo mas, não pôde pelo compromisso feito com o vigário. Um dia recebeu um prato cheio de sopa na cara, pelo fato do Coronel Felisberto achar que a mesma estava fria. Gritou e brigou tanto, com absurdas provocações que Procópio pensou novamente em ir embora. Mas, sempre, refletia muito antes de tomar qualquer atitude. Pensava na doença do velho, na sua demência e o fato de ser uma pessoa sozinha, sem família. O único parente, era um sobrinho, que havia morrido a pouco tempo. E assim foi levando, ficando lá por muito tempo. Neste intervalo o Coronel mandou chamar um advogado, fez testamento e foi levando a vida infeliz e indigna, somente podendo contar com aquele homem bondoso que o tolerava e cuidava tão bem dele, sem que o mesmo merecesse tanta dedicação. Procópio tinha quarenta e dois anos e tinha uma vida sem grandes acontecimentos. Antes de ir para o interior fazia um trabalho sem graça e sem valor nenhum. Tão repetitivo e o deixava entediado. Fazia isso, inclusive, em troca de uma boa comida e um lugar para dormir. Mas, mesmo tendo uma vida pobre não estava mais agüentando as infâmias, desacatos, ofensas, arremesso de comida e moringas sempre que algo desagradasse aquele homem mau e de uma índole questionável. Não se sabe exatamente os motivos mas Procópio ficou lá por muito tempo. Mas, nunca deixava de se queixar para si mesmo da situação degradante em que se encontrava. Um certo dia Procópio já estava decidido ir embora logo que amanhecesse. Parecia aquele homem ler os seus pensamentos, pois Procópio tendo ido à cozinha para pegar água com o remédio da hora ouviu gritos e foi ver o que estava acontecendo e quando se aproximou do Coronel, este começou a lutar bravamente com o enfermeiro. Procópio se defendia e perguntava o que ocorria. O que ele havia feito de errado. E o homem continuou aquela crise de loucura, até que Procópio não agüentou e enforcou Felisberto, aquele homem velho e indefeso. Ficou atordoado e para não levantar suspeitas puxou a camisa e abotoou-a até a altura do pescoço para esconder as marcas de unhas em sua carne frágil. Ainda ia dar meia-noite e Procópio esperou amanhecer para então chamar o escravo e o médico e avisou-os que o Coronel Felisberto havia amanhecido morto. E assim ficou muito arrependido de ter enforcado o velho, mas durante o velório ficou calado para não dar na vista. Foi embora e continuou sua vidinha de copista naquela paróquia. Todos o parabenizava pela dedicação e paciência com o Coronel. E sempre que alguém fazia-lhe qualquer elogio ficava desconfiado, reflexivo e grande arrependimento se abatia sobre ele. Chegou a pensar que nunca mais iria esquecer aquele fato. Para amenizar a situação pensava que como o velho estava doente, mais cedo ou mais tarde, morreria, e ele somente apressou a sua morte. Esse pensamento aliviava o coração do enfermeiro. Passou-se uma semana da morte do Coronel Felisberto quando recebeu a notícia de que Procópio era o herdeiro universal do Coronel. Esta notícia o deixou impressionado e preocupado. Mas, claro, deu-lhe imediatamente um ar de satisfação o fato de estar rico a partir daquele momento. Não entendeuo motivo do testamento e como não tinha como solucionar essa situação tomou posse de todos os seus bens. Depois de uma fase ruim pensou até em doar toda a herança, pois não se achava merecedor desse presente. Mas esse sentimento passou, e resolveu doar parte do dinheiro para caridade, fez reforma da igreja, mandou rezar missa. Mandou erguer um túmulo de mármore, com dizeres bem bonitos e assim também é o que hoje, estando o Enfermeiro desenganado pelos médicos pede que o façam para ele, sem se esquecer é claro, dos dizeres da lápide: “bem aventurados os que possuem, pois serão consolados”. Fonte: http://pt.shvoong.com/books/1741961-enfermeiro-conto/#ixzz1wpsC8FQK

Sinopse do conto "O alienista" de Machado de Assis

O Alienista Em O Alienista, o leitor se diverte, ri a valer, mas perceberá a irônica crítica de Machado de Assis à sociedade burguesa daquela época. Um livro gostoso de ler, uma surpresa a cada página, personagens atípicos e crédulos da suposta superioridade européia na medicina da loucura. Tremenda crítica à sociedade que o autor nunca perdia oportunidade de mostrar patética e hipócrita. A irônia de Machado de Assis é notória em O Alienista, quando mostra a hipocrisia do ser humano que só pensa em seu próprio prestígio. Abaixo segue o resumo/resenha do livro O Alienista de Machado de Assis A história se passa no século xlx(19), retrata a burguesia hipócrita da época. O autor se vale do personagem magnífico Dr. Simão Bacamarte (O Alienista) que casou-se com D.Evarista, que não tinha nenhum atributo de beleza, mas tinha todas as chances de dar ao Dr. Simão, filhos robustos e inteligentes. No entanto isso não ocorre, mesmo depois de dietas e ações médicas realizadas por Dr.Simão os filhos não chegaram. Ele então se dedicou ao estudo da medicina e dentro dela se interessou pela neurologia, estudando assim a sanidade e a loucura humana. Foi então que pediu licença ao governo de Itaguaí para construir uma residência onde os loucos da cidade se instalariam e seriam tratados, favorecendo também o estudo sobre os limites entre a razão e a loucura. D.Evarista tentou desiludi-lo inventado uma viagem ao Rio de Janeiro, mas ele não cedeu. Assim foi inaugurada a Casa Verde. Dr. Simão estudava e dedicava-se muito ao seu trabalho. Foi então que começou o terror em Itaguaí, Costa foi levado à Casa Verde. Costa havia recebido uma herança que dava-lhe para viver até “o fim da vida”, mas gastou-a toda em empréstimos aos outros indo para a miséria. Todos surpreenderam-se com a prisão de Costa, já que esse era um homem são. Quando a prima de Costa foi pedir a saída dele da Casa Verde acabou também sendo levada e presa. Depois prenderam Mateus, o homem apenas tinha uma bela casa com um belo jardim, a qual vistoriava cedo e à noite, repousava para que os outros admirassem a ele e a casa. No começo a vila de Itaguaí aplaudiu a atuação do Alienista, mas os exageros de Simão Bacamarte ocasionaram um motim popular, a rebelião das canjicas, liderados pelo ambicioso barbeiro Porfírio. Porfírio acaba vitorioso, mas em seguida compreende a necessidade da Casa Verde e alia-se a Simão Bacamarte. Há uma intervenção militar e os revoltosos são trancafiados no hospício e o Alienista recupera seu prestígio. Entretanto Simão Bacamarte chega à conclusão de que quatro quintos da população internada eram casos a repensar, então solta todos os recolhidos no hospício e adota critérios inversos para a caracterização da loucura: os loucos agora são os leais, os justos, os honestos etc. No fim do tratamento todos foram postos fora e analisando, Bacamarte verifica que ele próprio é o único sadio e reto, por isso o sábio Dr. Simão Bacamarte internou-se no casarão da Casa Verde, onde morreu dezessete meses depois e recebeu honras póstumas. http://www.psicoloucos.com/Resenhas-e-Resumos/o-alienista-machado-de-assis.

Sinopse do conto "Missa do Galo" de Machado de Assis

Missa do Galo Sr. Nogueira, personagem central do conto A Missa do Galo e narrador da história, tem dezessete anos e mora em Mangaratiba, cidade do Estado do Rio de Janeiro. No entanto, por ser estudante na capital do estado, vive durante o período escolar na casa do escrivão Meneses. O escrivão fora casado em primeiras núpcias com uma das primas do estudante Meneses, por isso eles se conheciam. Só que agora o escrivão era casado com Dona Conceição, uma jovem senhora de trinta anos de idade. Na casa, que ficava na rua do Senado, centro da cidade do Rio de Janeiro, viviam o escrivão Meneses; Dona Conceição, sua esposa; Dona Inácia, mãe de Conceição; duas empregadas e o jovem estudante Nogueira, na qualidade de hóspede. Machado de Assis narra a história em primeira pessoa, usando o nome fictício de Nogueira para contar uma aventura amorosa que quase teve, na véspera de Natal. Por ser o Rio de Janeiro a capital do Brasil, na época desse acontecimento o estudante Nogueira pensava que a missa do galo na Corte fosse mais bonita e atraente que a de Mangaratiba. Assim pensando, decidiu prolongar seu tempo na capital, a fim de assistir a missa. Combinou com o vizinho para que o chamasse alguns minutos antes da meia-noite, para que fosse com ele à igreja. Nesse ínterim, a fim de se manter acordado, leria o romance Os Três Mosqueteiros, do escritor francês Alexandre Dumas. Entretanto, surpreendeu-se com a chegada de Conceição à sala para conversar com ele. Daí, fechou o livro para conversar com a dona da casa. Conceição lhe disse que estava sem sono e por esse motivo ficaria ali sentada a lhe fazer companhia. O escrivão Meneses tinha ido ao teatro. Desculpa esfarrapada que só depois de muito tempo o inocente Nogueira soube que na verdade ele ia à casa de sua amante. E por lá ficava até o dia seguinte. Todos da casa sabiam disso e Conceição sofria muito a traição do marido. No entanto, se mantinha calada a respeito desse assunto. No aguardo da chamada do vizinho, Conceição conversa com Nogueira sobre os romances que lera. Pede-lhe que fale baixo porque senão sua mãe acorda. Aliás, usa o motivo como pretexto para pedir a ele que se sente perto dela. Ele a obedeceu. A partir daí, embevecido pelas doces palavras da jovem senhora, Nogueira já estava disposto a esquecer a missa do galo para ficar ao lado dela. Teria assim, quem sabe?, sua primeira aventura amorosa. Na falta momentânea de assunto, ambos se entregavam a uma ligeira troca de sentimentos. Mas foram acordados pelo vizinho que chamava o estudante para a missa do galo. No mês de março do ano seguinte, quando Nogueira voltou de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, soube que o escrivão tinha morrido de apoplexia. Ouviu mais tarde que Conceição tinha se casado com o escrevente juramentado do marido. Leia no oSabeTudo.com: Resenha do Conto Missa do Galo – Machado de Assis | oSabeTudo.com

Sinopse do conto "A cartomante" de Machado de Assis

A cartomante Vilela e Camilo eram dois amigos de infância que se reencontraram. Camilo solteiro e Vilela casado com Rita. Os três mantivaram por muito tempo um relacionamento de amizade muito próxima, e com o passar do tempo, o sentimento entre Rita e Camilo foi aflorando. Até que um dia, devida a pela ausência de Vilela motivada pela morte de sua mãe, Rita e Camilo deram início a um relacionamento clandestino. Se encontraram durante muito tempo as escondidas, até que Camilo começou a receber ameaçadoras cartas anônimas, relatando a traiçao. Devido as cartas, e ao medo de ser denunciado, Camilo decidiu se afastar de Rita, Deixando de fazer as frequentes visitas que fazia a sua casa. Rita imaginou que a ausência de Camilo significava que esta não mais a amava, e desta forma procurou uma cartomante para saber, por meio de misticismo, se Camilo ainda a amava. Os dois se reencontraram e Camilo, que não acreditava nessas coisas, zombou de Rita. Um tempo depois Camilo recebe uma carta de Vilela o convocando urgente a sua casa. Camilo logo imaginou que Vilela havia descoberto a traição, e extremamente preocupado e confuso se dirigiu a casa de Vilela. No meio do caminho, uma carroça atravessada pela rua, fez camilo parar justamente na casa da cartomante, como já estava desesperado, Camilo que não acreditava nestas coisas, imaginou ser “obra do destino”, e decidiu se consultar com a cartomante. Esta, consultando as cartas, lhe disse para nada temer, que Vilela nada sabia, e que ele e Rita seriam felizer em seu amor no futuro. Confiante, Camilo voltou a se dirigir a casa de Vilela, e ao chegar lá se deparou com Vilela transtornado, Rita assassinada, e ainda levou dois tiros. Análise: Machado de Assis, mostra a visão extremamente pessimista, concreta e objetiva da vida e das pessoas, já que rejeita o final feliz. A autor faz uma análise psicológica das contradições humanas, criando personagens imprevisíveis, detentores de sentimentos normais como ingenuidade e malícia, sinceridade e hipocrisia. A citação logo no início de um autor clássico (shakespeare), já demonstra o tom trágico que Machado pretende dar a esta obra. Fonte: http://pt.shvoong.com/books/novel-novella/1824051-cartomante/#ixzz1wpd7GqKL

Sinopse do conto "Capítulo dos Chapéus" de Machado de Assis

Capítulo dos Chapéus (Conto de Histórias sem Data), de Machado de Assis Neste conto Machado de Assis discorre sobre um desejo reprimido que reaparece, deslocado, mas que perturba a jovem Mariana. Ela e Sofia, sua amiga, são as duas mulheres que representam os dois mundos que colidiam no Brasil da segunda metade do século XIX. Em Capítulo dos Chapéus aparecem a frivolidade e ostentação da época de Machado de Assis. Este interessante conto põe a nu a posição da mulher na nova sociedade que se forma no Brasil dessa segunda metade do século XIX, por meio de uma prosa irônica, mas que não deixa de revelar um tom trágico, por meio de uma tarde na vida da pacata Mariana. A história do conto é simples: Mariana, “esposa do bacharel Conrado Seabra”, pede ao marido que troque o chapéu que costuma usar todos os dias. O marido, diante não de um pedido mas da teima da esposa, acha absurda sua atitude e responde-lhe ironicamente, humilhando-a. Conrado desconhece o fato de a solicitação de Mariana ter origem em uma colocação feita pela pai dela: De noite, encontrando a filha sozinha, abriu-lhe o coração, pintou-lhe o chapéu mais baixo como a abominação das abominações e instou com ela para que o fizesse desterrar. Humilhada, repleta de despeito, Mariana resolve espairecer, indo visitar uma amiga, Sofia – “alta, forte, muito senhora de si”. Num ato de fraqueza, confessa a Sofia o motivo de sua visita e a amiga a convence a irem juntas passear na Rua do Ouvidor. No entanto, o passeio revela-se perturbador e Mariana, angustiada, anseia por voltar para a segurança do seu lar. Ao chegar em casa, porém, o marido comprou um chapéu novo e Mariana, ainda assustada, pede-lhe que volte a usar o chapéu de sempre. O conto é dominado pelas figuras de duas mulheres: Mariana e Sofia. Personalidades opostas, elas representam dois mundos diferentes, mas próximos entre si, presentes na nova configuração da realidade brasileira da segunda metade do século XIX. Mariana é a mulher infantilizada e alienada num ambiente doméstico; sua vida resume-se a casa e seus objetos: Móveis, cortinas, ornatos supriam-lhe os filhos; tinha-lhes um amor de mãe; e tal era a concordância da pessoa com o meio que ela saboreava os trastes na posição ocupada, as cortinas com as dobras do costume, e assim o resto. Sua caracterização evidencia o quanto está de acordo com os ideais de feminilidade de um mundo marcado pela figura do patriarca: era uma criatura passiva, meiga, de uma plasticidade de encomenda, capaz de usar com a mesma divina indiferença tanto um diadema régio como uma touca. Ou seja, é uma criatura feita de clichês que servem para reafirmar o oposto, a virilidade masculina. Sua vida estreita, concorda com suas leituras: Os hábitos mentais seguiam a mesma uniformidade. Mariana dispunha de mui poucas noções, e nunca lera senão os mesmos livros: a Moreninha, de Macedo, sete vezes; Ivanhoé e o Pirata, de Walter Scott, dez vezes; e Mot de l´enigme, de Madame Craven, onze vezes. Em oposição à sua figura, há Sofia, uma mulher da nova sociedade: independente, resoluta, seus limites vão além da vida doméstica, estendendo-se para a rua: Sofia, prática daqueles mares, transpunha, rasgava ou contornava as gentes com muita perícia e tranqüilidade. Mais ainda, Sofia era honesta, mas namoradeira: o termo é cru e não há tempo de compor um mais brando. Namorava a torto e a direito, por necessidade natural, um costume de solteira. A relação das duas mulheres com os maridos segue esse caráter de oposição. Sofia domina o marido: Olhe eu cá vivo, muito bem com o meu Ricardo; temos muita harmonia. Não lhe peço coisa que ele não faça logo; mesmo quando não tem vontade nenhuma, basta que eu feche a cara, obedece logo. Não era ele que teimaria assim por causa de um chapéu! Pois não! Onde iria ele parar! Mudava de chapéu, quer quisesse, quer não. Sofia possui certa consciência de seu desejo e aproveita-se do fato de ser objeto de desejo dos outros homens: sai para ser vista, seu olhar se desloca incessantemente para capturar o olhar do outro, numa postura ativa: Muitos eram os olhos que a fitavam quando ela ia à câmara, mas os do tal secretário tinham uma expressão mais especial, mais cálida e súplice. Entende-se, pois, que ela não o recebeu de supetão; pode mesmo entender-se que o procurou curiosa. Sofia encarna o novo papel da mulher: a vida social é muito importante e o que vale é ver e ser vista. http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/c/capitulo_dos_chapeus_conto

Animação do conto "Entre Santos" de Machado de Assis