A cartomante
Vilela e Camilo eram dois amigos de infância que se reencontraram. Camilo solteiro e Vilela casado com Rita.
Os três mantivaram por muito tempo um relacionamento de amizade muito próxima, e com o passar do tempo, o sentimento entre Rita e Camilo foi aflorando.
Até que um dia, devida a pela ausência de Vilela motivada pela morte de sua mãe, Rita e Camilo deram início a um relacionamento clandestino.
Se encontraram durante muito tempo as escondidas, até que Camilo começou a receber ameaçadoras cartas anônimas, relatando a traiçao.
Devido as cartas, e ao medo de ser denunciado, Camilo decidiu se afastar de Rita, Deixando de fazer as frequentes visitas que fazia a sua casa.
Rita imaginou que a ausência de Camilo significava que esta não mais a amava, e desta forma procurou uma cartomante para saber, por meio de misticismo, se Camilo ainda a amava.
Os dois se reencontraram e Camilo, que não acreditava nessas coisas, zombou de Rita.
Um tempo depois Camilo recebe uma carta de Vilela o convocando urgente a sua casa. Camilo logo imaginou que Vilela havia descoberto a traição, e extremamente preocupado e confuso se dirigiu a casa de Vilela.
No meio do caminho, uma carroça atravessada pela rua, fez camilo parar justamente na casa da cartomante, como já estava desesperado, Camilo que não acreditava nestas coisas, imaginou ser “obra do destino”, e decidiu se consultar com a cartomante.
Esta, consultando as cartas, lhe disse para nada temer, que Vilela nada sabia, e que ele e Rita seriam felizer em seu amor no futuro.
Confiante, Camilo voltou a se dirigir a casa de Vilela, e ao chegar lá se deparou com Vilela transtornado, Rita assassinada, e ainda levou dois tiros.
Análise:
Machado de Assis, mostra a visão extremamente pessimista, concreta e objetiva da vida e das pessoas, já que rejeita o final feliz. A autor faz uma análise psicológica das contradições humanas, criando personagens imprevisíveis, detentores de sentimentos normais como ingenuidade e malícia, sinceridade e hipocrisia.
A citação logo no início de um autor clássico (shakespeare), já demonstra o tom trágico que Machado pretende dar a esta obra.
Fonte: http://pt.shvoong.com/books/novel-novella/1824051-cartomante/#ixzz1wpd7GqKL
Este blog tem por objetivo pesquisar a arte da palavra em toda a sua plenitude, multiplicando assim novos conhecimentos.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Sinopse do conto "A cartomante" de Machado de Assis
A cartomante
Vilela e Camilo eram dois amigos de infância que se reencontraram. Camilo solteiro e Vilela casado com Rita.
Os três mantivaram por muito tempo um relacionamento de amizade muito próxima, e com o passar do tempo, o sentimento entre Rita e Camilo foi aflorando.
Até que um dia, devida a pela ausência de Vilela motivada pela morte de sua mãe, Rita e Camilo deram início a um relacionamento clandestino.
Se encontraram durante muito tempo as escondidas, até que Camilo começou a receber ameaçadoras cartas anônimas, relatando a traiçao.
Devido as cartas, e ao medo de ser denunciado, Camilo decidiu se afastar de Rita, Deixando de fazer as frequentes visitas que fazia a sua casa.
Rita imaginou que a ausência de Camilo significava que esta não mais a amava, e desta forma procurou uma cartomante para saber, por meio de misticismo, se Camilo ainda a amava.
Os dois se reencontraram e Camilo, que não acreditava nessas coisas, zombou de Rita.
Um tempo depois Camilo recebe uma carta de Vilela o convocando urgente a sua casa. Camilo logo imaginou que Vilela havia descoberto a traição, e extremamente preocupado e confuso se dirigiu a casa de Vilela.
No meio do caminho, uma carroça atravessada pela rua, fez camilo parar justamente na casa da cartomante, como já estava desesperado, Camilo que não acreditava nestas coisas, imaginou ser “obra do destino”, e decidiu se consultar com a cartomante.
Esta, consultando as cartas, lhe disse para nada temer, que Vilela nada sabia, e que ele e Rita seriam felizer em seu amor no futuro.
Confiante, Camilo voltou a se dirigir a casa de Vilela, e ao chegar lá se deparou com Vilela transtornado, Rita assassinada, e ainda levou dois tiros.
Análise:
Machado de Assis, mostra a visão extremamente pessimista, concreta e objetiva da vida e das pessoas, já que rejeita o final feliz. A autor faz uma análise psicológica das contradições humanas, criando personagens imprevisíveis, detentores de sentimentos normais como ingenuidade e malícia, sinceridade e hipocrisia.
A citação logo no início de um autor clássico (shakespeare), já demonstra o tom trágico que Machado pretende dar a esta obra.
Fonte: http://pt.shvoong.com/books/novel-novella/1824051-cartomante/#ixzz1wpd7GqKL
Sinopse do conto "Capítulo dos Chapéus" de Machado de Assis
Capítulo dos Chapéus (Conto de Histórias sem Data), de Machado de Assis
Neste conto Machado de Assis discorre sobre um desejo reprimido que reaparece, deslocado, mas que perturba a jovem Mariana. Ela e Sofia, sua amiga, são as duas mulheres que representam os dois mundos que colidiam no Brasil da segunda metade do século XIX.
Em Capítulo dos Chapéus aparecem a frivolidade e ostentação da época de Machado de Assis.
Este interessante conto põe a nu a posição da mulher na nova sociedade que se forma no Brasil dessa segunda metade do século XIX, por meio de uma prosa irônica, mas que não deixa de revelar um tom trágico, por meio de uma tarde na vida da pacata Mariana.
A história do conto é simples: Mariana, “esposa do bacharel Conrado Seabra”, pede ao marido que troque o chapéu que costuma usar todos os dias. O marido, diante não de um pedido mas da teima da esposa, acha absurda sua atitude e responde-lhe ironicamente, humilhando-a. Conrado desconhece o fato de a solicitação de Mariana ter origem em uma colocação feita pela pai dela: De noite, encontrando a filha sozinha, abriu-lhe o coração, pintou-lhe o chapéu mais baixo como a abominação das abominações e instou com ela para que o fizesse desterrar.
Humilhada, repleta de despeito, Mariana resolve espairecer, indo visitar uma amiga, Sofia – “alta, forte, muito senhora de si”. Num ato de fraqueza, confessa a Sofia o motivo de sua visita e a amiga a convence a irem juntas passear na Rua do Ouvidor. No entanto, o passeio revela-se perturbador e Mariana, angustiada, anseia por voltar para a segurança do seu lar. Ao chegar em casa, porém, o marido comprou um chapéu novo e Mariana, ainda assustada, pede-lhe que volte a usar o chapéu de sempre.
O conto é dominado pelas figuras de duas mulheres: Mariana e Sofia. Personalidades opostas, elas representam dois mundos diferentes, mas próximos entre si, presentes na nova configuração da realidade brasileira da segunda metade do século XIX. Mariana é a mulher infantilizada e alienada num ambiente doméstico; sua vida resume-se a casa e seus objetos: Móveis, cortinas, ornatos supriam-lhe os filhos; tinha-lhes um amor de mãe; e tal era a concordância da pessoa com o meio que ela saboreava os trastes na posição ocupada, as cortinas com as dobras do costume, e assim o resto. Sua caracterização evidencia o quanto está de acordo com os ideais de feminilidade de um mundo marcado pela figura do patriarca: era uma criatura passiva, meiga, de uma plasticidade de encomenda, capaz de usar com a mesma divina indiferença tanto um diadema régio como uma touca. Ou seja, é uma criatura feita de clichês que servem para reafirmar o oposto, a virilidade masculina. Sua vida estreita, concorda com suas leituras: Os hábitos mentais seguiam a mesma uniformidade. Mariana dispunha de mui poucas noções, e nunca lera senão os mesmos livros: a Moreninha, de Macedo, sete vezes; Ivanhoé e o Pirata, de Walter Scott, dez vezes; e Mot de l´enigme, de Madame Craven, onze vezes.
Em oposição à sua figura, há Sofia, uma mulher da nova sociedade: independente, resoluta, seus limites vão além da vida doméstica, estendendo-se para a rua: Sofia, prática daqueles mares, transpunha, rasgava ou contornava as gentes com muita perícia e tranqüilidade. Mais ainda, Sofia era honesta, mas namoradeira: o termo é cru e não há tempo de compor um mais brando. Namorava a torto e a direito, por necessidade natural, um costume de solteira. A relação das duas mulheres com os maridos segue esse caráter de oposição. Sofia domina o marido: Olhe eu cá vivo, muito bem com o meu Ricardo; temos muita harmonia. Não lhe peço coisa que ele não faça logo; mesmo quando não tem vontade nenhuma, basta que eu feche a cara, obedece logo. Não era ele que teimaria assim por causa de um chapéu! Pois não! Onde iria ele parar! Mudava de chapéu, quer quisesse, quer não.
Sofia possui certa consciência de seu desejo e aproveita-se do fato de ser objeto de desejo dos outros homens: sai para ser vista, seu olhar se desloca incessantemente para capturar o olhar do outro, numa postura ativa: Muitos eram os olhos que a fitavam quando ela ia à câmara, mas os do tal secretário tinham uma expressão mais especial, mais cálida e súplice. Entende-se, pois, que ela não o recebeu de supetão; pode mesmo entender-se que o procurou curiosa.
Sofia encarna o novo papel da mulher: a vida social é muito importante e o que vale é ver e ser vista.
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/c/capitulo_dos_chapeus_conto
segunda-feira, 14 de maio de 2012
O título é extraído da Bíblia, remetendo-nos ao Gênesis, é à história de Rebeca, que privilegia o filho Jacó, em detrimento do outro filho, Esaú, fazendo-os inimigos irreconciliáveis. A inimizade dos gêmeos Pedro e Paulo, do romance de Machado, não tem causa explícita, daí a denominação de romance "AB OVO" (desde o ovo).
É o romance da ambigüidade, narrado em 3ª pessoa, pelo Conselheiro Aires. Pedro e Paulo seriam "os dois lados da verdade".
À medida que vão crescendo, os irmãos começam a definir seus temperamentos diversos: são rivais em tudo. Paulo é impulsivo, arrebatado, Pedro é dissimulado e conservador - o que vem a ser motivo de brigas entre os dois. Já adultos, a causa principal de suas divergências passa a ser de ordem política - Paulo é republicano e Pedro, monarquista. Estamos em plena época da Proclamação da República, quando decorre a ação do romance.
Até em seus amores, os gêmeos são competitivos. Flora, a moça de quem ambos gostam, se entretém com um e outro, sem se decidir por nenhum dos dois: é retraída, modesta, e seu temperamento avesso a festas e alegrias levou o Conselheiro Aires a dizer que ela era "inexplicável". O conselheiro é mais um grande personagem da galeria machadiana, que reaparecerá como memorialista no próximo e último romance do autor: velho diplomata aposentado, de hábitos discretos e gosto requintado, amante de citações eruditas, muitas vezes interpreta o pensamento do próprio romancista.
As divergências entre os irmãos continuam, muito embora, com a morte de Flora, tenham jurado junto a seu túmulo uma reconciliação perpétua. Continuam a se desentender, agora em plena tribuna, depois que ambos se elegeram deputados, e só se reconciliam ao fim do livro com novo juramento de amizade eterna, este feito junto ao leito da mãe agonizante.
As aventuras de Leonardo, herói das Memórias de um Sargento de Milícias, filho de Leonardo Pataca e de Maria da Hortaliça, são o núcleo da narrativa. Seus pais, imigrantes portugueses, conheceram-se a bordo do barco que os trouxe ao Brasil, depois de uma pisadela no pé direito e de um beliscão:
Ao sair do Tejo, estando Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito.
A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda.
Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos.
O nascimento de Leonardo foi inevitável sete meses depois; sua caracterização é marcante:
... sete meses depois teve a Maria um filho, formidável menino de quase três palmos de comprido, gordo e vermelho, cabeludo, esperneador e chorão; o qual, logo depois que nasceu, mamou duas horas seguidas sem largar o peito. E este nascimento é certamente de tudo o que temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de quem falamos é o herói desta história.
Aos sete anos, “... quebrava e rasgava tudo que lhe vinha à mão. Tinha uma paixão decidida pelo chapéu armado do Leonardo; se este o deixava por esquecimento em algum lugar ao seu alcance, tomava-o imediatamente, espanava com ele todos os móveis, punha-lhe dentro tudo que encontrava, esfregava-o em uma parede, e acabava por varrer com ele a casa...”.
Maria da Hortaliça não era fiel a seu companheiro. Depois de flagrá-la com alguém que escapa pela janela, Leonardo Pataca, num assomo de raiva, chuta o pequeno Leonardo para fora de casa e perde Maria, que foge.
Apesar de abandonado pelos pais, Leonardinho — como chamaremos a Leonardo filho neste texto — conta — não só nesse momento, mas ao longo de toda a vida — com a proteção e o afeto de várias personagens: expulso de casa, passa a viver com o padrinho, que era barbeiro e que cuida dele durante anos. Sua madrinha, parteira e “papa-missas”, também o ajudará.
Afeiçoado pelo menino, o barbeiro fazia vistas grossas às suas malandragens. O plano do padrinho era que Leonardo fosse clérigo. Porém, na escola, ele era o gazeteador-mor de sua sala — o aluno que mais “matava” aulas —, que diariamente tomava bolos do professor; na Igreja, como coroinha, com um outro pequeno sacristão, fazia todo o tipo de travessuras: vingou-se de uma vizinha que não gostava dele e expôs publicamente o caso do reverendo com uma cigana.
Na primeira parte do livro, embora o narrador afirme que o herói é Leonardo filho, também as trapalhadas de Leonardo, o pai, são relatadas. Metido em problemas amorosos com a cigana, que também tinha um caso com o reverendo da Sé, Pataca é preso em um ritual de Fortuna — macumba — pelo Major Vidigal, temida autoridade policial da época do reinado de Dom João VI no Brasil:
“Nesse tempo ainda não estava organizada a polícia da cidade, ou antes estava-o de um modo em harmonia com as tendências e idéias da época. O major Vidigal era o rei absoluto, o árbitro supremo de tudo que dizia respeito a esse ramo de administração; era o juiz que julgava e distribuía a pena, e ao mesmo tempo o guarda que dava caça aos criminosos; nas causas da sua imensa alçada não havia testemunhas, nem provas, nem razões, nem processo; ele resumia tudo em si; a sua justiça era infalível; não havia apelação para as sentenças que dava, fazia o que queria, e ninguém lhe tomava contas. Exercia enfim uma espécie de inquirição policial.”
Para conseguir a soltura depois de ser preso por Vidigal, Leonardo Pataca é ajudado por um tenente-coronel que lhe devia um favor. Fora da prisão, envia a uma festa na casa da cigana um valentão que batia por dinheiro, o Chico Juca, para arrumar uma briga. É nessa confusão que o caso da cigana com o reverendo acaba revelado de fato:
“No mesmo instante viu aparecer o granadeiro trazendo pelo braço o Rev. mestre de cerimônias em ceroulas curtas e largas, de meias pretas, sapatos de fivela, e solidéu à cabeça. Apesar dos apuros em que se achavam, todos desataram a rir: só ele e a cigana choravam de envergonhados.”
Depois de reatar brevemente suas relações com a cigana, Leonardo Pataca relaciona-se com Chiquinha, com quem se casará — há aqui um pequeno defeito na narrativa, atribuído a Manuel Antônio de Almeida: ao citar Chiquinha pela primeira vez, o narrador afirma que ela é sobrinha da comadre; no início do segundo volume, afirma que ela é filha da comadre.
As aventuras de Leonardinho tornar-se-ão, nesse momento, o único núcleo das Memórias e uma importante personagem surgirá: Dona Maria, velha rica que também protegerá o protagonista.
“D. Maria tinha bom coração, era benfazeja, devota e amiga dos pobres, porém em compensação dessas virtudes tinha um dos piores vícios daquele tempo e daqueles costumes: era a mania de demandas. Como era rica, D. Maria alimentava esse vício largamente; as suas demandas eram o alimento da sua vida; acordada pensava nelas, dormindo sonhava com elas...”
É na casa de D. Maria que Leonardo, já jovem e ainda absolutamente desocupado, se encantará por Luisinha, sobrinha abastada da velha das demandas. No entanto, há um entrave para a paixão de Leonardo: é José Manuel, rival que usará de todos os artifícios para conquistar Luisinha.
Depois da morte do barbeiro, o herói da narrativa será obrigado a ir morar com seu pai, Chiquinha, uma meia-irmã já nascida e a parteira.
O convívio com a madrasta é insuportável, e Leonardinho abandona a casa. Enquanto os desentendimentos ocorriam, a parteira havia tentado afastar José Manuel de Luisinha para favorecer o afilhado, mas a distância de Leonardinho dá espaço ao rival, que acaba conseguindo casar-se com a jovem graças à influência, junto à Dona Maria, de um mestre de reza — espécie de “professor de oração”, velho e cego, que ensinava a rezar a criadagem da velha.
Longe de casa, Leonardo reencontra seu velho amigo de travessuras da igreja. É esse rapaz que lhe fará conhecer um novo amor, Vidinha, moça bonita de voz encantadora, de uma família composta de duas viúvas — a mãe de Vidinha e sua irmã — e seis jovens, três filhos de uma, empregados no exército e três filhas de outra. Apaixonado, Leonardo agrega-se a essa família para conquistar a mais bela das irmãs, mas encontra a resistência de dois dos primos, que tinham a mesma finalidade.
Prestes a abandonar a casa, depara-se com a madrinha, que o havia localizado. Rapidamente ela ganha a amizade e a simpatia das viúvas. Em uma patuscada (festa familiar), os rivais do memorando arranjam que ele seja preso pelo Vidigal, por vadiação, porém ele escapa das garras do policial e retorna ao convívio da casa.
Para livrá-lo da acusação dos dois irmãos e da perseguição de Vidigal, que jurava vingança por ter perdido uma presa, a comadre lhe arruma emprego na ucharia-real, o depósito de mantimentos do rei, perdido à custa de um flerte com a mulher do toma-largura, apelido que se dava a criados do rei.
Enciumada por causa desse episódio, Vidinha vai à ucharia fazer escândalo; acompanhando-a para persuadi-la do contrário, Leonardinho acaba finalmente preso pelo Vidigal, que fará dele um granadeiro de sua patrulha. Aliviada, Vidinha retorna a casa, não sem encantar o toma-largura que, espertalhão e conquistador, se aproxima da família das duas viúvas. Em uma patuscada, o don juan é preso por beber demais: é Leonardo quem se encarrega dessa tarefa.
Mesmo ligado à tropa de Vidigal, Leonardo não deixa de ser malandro e prega peças em seu superior — livra da perseguição o Teotônio, um piadista —, o que lhe rende a prisão definitiva, da qual só sairá depois da intervenção de Dona Maria, da comadre e de Maria Regalada, amor antigo de Vidigal, que intercede junto a ele em nome do herói.
Em troca da liberdade de Leonardo, Maria Regalada cede ao desejo de Vidigal e mora em sua companhia. Livre e com o cargo de sargento da companhia de granadeiros, Leonardo casa-se com Luisinha após a morte de José Manuel. Como sargentos da ativa não podiam casar-se, ganha o título de sargento de milícias, que dá título ao texto.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Síntese da obra "O Filho Eterno" Cristóvão Tezza
Filho nasce com síndrome de Down, sendo rejeitado pelo pai, um estudante de letras que tenta ser escritor. O pai, depois descobrir a síndrome do filho, sonha secretamente com sua morte. Na época, 1982, a síndrome ainda é chamada de "mongolismo" e seus portadores de "mongolóides". O livro nos mostra o preconceito do pai e a vergonha que sente em assumir para a sociedade a condição de se filho(Felipe).
O livro é escrito pelo personagem do pai. O pai mostra-se egoista na maioria das vezes, ainda que internamente, mas ao mesmo tempo procura incentivar o menino, com estímulos e exercícios. Como para o pai o intelecto é muito importante, não se sente ligado ao filho. Certa vez, ao conversar com uma amiga ela diz que dá para ver o vazio nos olhos de Felipe. Isto machuca o pai. Constantemente ele critica o filho aos amigos e conhecidos, na esperança de que alguém lhe diga que o menino é "normal" ele anseia pela normalidade.
O pai compara as deficiências intelectuais de Felipe com suas próprias debilidades como escritor. Até que um amigo lhe diz que a inteligência de Felipe está na afetuosidade, e o menino é de fato afetuoso. No fim o pai aceita o filho, e os dois assistem futebol juntos, paixão do filho, que o pai acompanha para terem algo em comum que possam conversar. Ambos torcem pelo Atlético Paranaense. Felipe, que sempre teve dificuldades no aprendizado, aprende com o futebol noções de tempo, vitórias, derrotas, leitura, etc... Conhecimentos importantes que o pai nunca conseguiu ensinar-lhe com as didáticas convencionais. O pai que sempre detestou TV e futebol (pensava: diversão barata para pessoas burras), acaba sendo grato à ambos.
O pai ganha do irmão no dia do nascimento do filho, um poema escrito por ele mesmo, tempos atrás que dizia: "Nada do que não foi poderia ter sido". Isto o irrita profundamente na época, mas no passar do tempo torna-se uma espécie de mantra repetindo ao longo do livro. É uma biografia, de certa forma, pois o personagem assim como Cristovão T. também é autor, professor universitário, paranaense, e tem um filho com síndrome de down, embora Cristovão Tessa negue que o livro seja autobiográfico.
Na verdade, nota-se ao longo do livro que as pessoas ao redor do autor não percebe sua frustração e revolta com a condição de seu filho, algo que ocorre internamente. Imagino que percebam um pai dedicado - coisa que nem o pai, talvez por saber o que se passa no seu íntimo não perceba, embora seja - que esforça-se ao máximo pra estímular o filho a desenvolver seu potencial. E o livro é como um diário, não que seja escrito na forma de um diário, mas o personagem expõe seus sentimentos mais profundos sem medo de julgamentos. Portanto, embora possamos ter um sentimento que o pai é egoísta, na verdade se pudéssemos ver os sentimentos mais profundos de alguém, sem que estas se preocupassem com eventuais julgamentos, a mais altruísta das pessoas poderiam nos parecer fúteis e preocupadas apenas consigo.
Síntese da obra "Feliz Ano Novo" Rubens Fonseca
No dia 14 de dezembro, Marcelo, que já tinha bebido demais, declarou aos amigos que ia buscar o tesouro que o amigo escondera no fundo do lago e pulou em um “salto do Tio Patinhas”.
Ele não submergiu logo, a profundidade do lago era pequena, Marcelo sofreu um acidente. Os amigos o tiraram do lago, o colocaram de pé (Quando deveriam deixá-lo deitado) depois o levaram deitado para um hospital. Ele havia fraturado a quinta vértebra cervical e comprimido a medula. Os movimentos abaixo do pescoço estavam perdidos.
Marcelo era jovem, músico, vivia numa república onde moravam ele e alguns amigos. Vinha de uma condição de vida boa, o pai desapareceu na ditadura. A policial chegou e o levou, depois levou a mãe e a irmã mais velha. As duas voltaram, mas o pai nunca mais foi visto, os jornais questionavam o paradeiro de Rubens Paiva, a polícia negava envolvimento. Foi assim que Marcelo perdeu o pai.
Teve muitas namoradas, Nana, uma amiga que morava na república, não o abandonara no hospital dormindo e dando o jantar, já tinham tido uma história, Marina, uma garota da faculdade de quem ele tirou a virgindade, e tantas outras. Marcelo vivia intensamente sua vida sexual, porém no estado em que estava, e ainda com uma sonda no pênis, não sentia tanta necessidade, mas pensava nisso vendo as enfermeiras.
Ele também amava música, tinha uma banda, junto com o seu amigo Cassy, e já participara de concursos. Tocava na faculdade (Unicamp) onde estudava. A música fazia parte de Marcelo.
No hospital recebia constantes visitas de amigos como Veroca Big, a grande, Virginia por quem tivera uma grande paixão, Olaf e outros. No primeiro hospital tinha as enfermeiras que o alimentavam, os enfermeiros que davam banho. Veroca ia pra lá e ficava lendo um livro para ele. Depois arrumaram um óculos que o permitia ler deitado e também ver televisão. A mãe levava a Folha de São Paulo e danones.
Foi até que o levaram para o apartamento, lá as refeições melhoraram e ele tinha algumas vezes até sobremesa, deixou a sopinha e passou a comer arroz. O médico logo fez planos para o avanço da cura. A esse ponto Marcelo já mexia os braços, mas a sensibilidade dos mamilos para abaixo ainda não voltava. A fisioterapia se intensificava. Logo arrumaram um colete de ferro e meteram Marcelo dentro, erguiam a cama cada vez mais e assim ele ia progredindo até que conseguiu ir para a cadeira de rodas.
Nesse ponto, Marcelo voltou a morar na casa da mãe, os amigos continuavam as visitas e dormiam lá. Com a chegada de uma nova médica para ajudá-lo ele passou a comer sozinho, escrever, andar sozinho na cadeira de rodas. Já descia para piscina para tomar sol, foi ao cinema e até ia a festas.
Foi ao BBB onde faria um tratamento e começara a encarar sua nova realidade, ele adorou o lugar, havia pessoas com os mesmos problemas e que poderiam ajudá-lo a responder as suas perguntas.
Em uma das festas que foi encontrou com Bianca, irmã de um amigo. Os dois começaram a namorar, os dois dormiam juntos. Fazia um ano do acidente. Ele se lembrava dos momentos ruins, de como se sentia injustiçado, como queria voltar no tempo minutos antes do salto, de como se sentira amargurado no ano novo e as lembranças das farras anti-carnaval... Mas agora entrava numa nova fase, iria ao BBB, se trataria, teria respostas, iria curtir Bianca até que a cura chegasse
O Pagador de Promessas
Zé-do-burro era um homem muito simples, vivia na companhia da mulher e de seu animal, um burro por quem tinha muito apego.
Certa vez o animal fora ferido na cabeça por um galho de árvore e Zé, ao ver a situação do animal, fez uma promessa à Santa Bárbara, prometeu que dividiria suas terras entre os necessitados e carregaria uma cruz tão pesada como a de Jesus até à igreja da Santa. Como em sua cidade não havia a tal igreja, fez a promessa em um terreiro de candomblé, onde ela é conhecida pelo nome de Iansan. Saiu de sua terra no interior da Bahia carregando uma cruz, junto ia sua esposa.
Caminharam sete léguas até que chegaram à igreja de Santa Bárbara em Salvador. Saíram às cinco da manhã e chegaram à igreja um pouco antes desse horário. Por mais que Rosa insistisse para que ele deixasse a cruz na porta, Zé mantinha-se firme na ideia de que a promessa só seria cumprida se ele deixasse a cruz na frente do altar como prometera.
Nessas circunstâncias Rosa se deitou nos degraus da igreja e cochilou. Zé, que estava extremamente cansado da jornada com a cruz, ficou tentando se manter em vigília, mas pegava no sono constantemente.
Enquanto isso, chegou à praça Bonitão e Marli. Ela lhe entregou um dinheiro e ele reclamou do tanto que ela conseguiu, mas o serviço de prostituta não rendia como antes. Os dois acabaram brigando, Marli era completamente apaixonada por ele que, no entanto, não se importava, a não ser pela questão financeira.
Marli foi embora. Bonitão foi em direção a Rosa e Zé, já com segundas intenções para com Rosa. Zé-do-burro lhe explicou a situação, ao que Bonitão aconselhou que ele fosse à porta lateral da sacristia, pois o padre já deveria ter levantado para se preparar para a missa das seis. Zé foi e enquanto isso Rosa e Bonitão conversaram cheios de insinuações.
Quando Zé voltou, Bonitão ofereceu um lugar para os dois se hospedarem, mas Zé se opôs a abandonar a cruz, frente às insistências do marido, Rosa foi e o traiu com Bonitão.
Com o passar das horas, a agitação na rua começou e a igreja foi aberta. Zé, dirigindo-se ao padre, explicou sua promessa. O padre ouvindo citações do candomblé se recusou a permitir a entrada de Zé na igreja. Ele, frente a isso e muito responsável em relação à promessa, afirmou que só sairia dali quando a cumprisse.
Nesse momento, apareceram muitas pessoas na praça de frente para a igreja. O galego dono de uma venda, um poeta, uma baiana e outros, todos se puseram a favor de Zé e ficaram ali a opinar. Nessas circunstâncias Rosa volta já arrependida de sua traição. Logo mais um repórter aparece e classifica Zé como o novo Messias, apoiador da reforma agrária e cria envolta da promessa dele uma campanha política.
Um guarda apareceu e tentou convencer Zé a ir embora e depois intercedeu a favor dele junto ao padre, mas ele não aceitou. Com isso, apostas foram feitas quanto ao dia da entrada ou não de Zé e a cruz na igreja. O superior do padre foi à igreja, ficou a par da historia, propôs que Zé pedisse perdão por seu pecado e fosse embora abandonando a cruz, mas ele não aceitou.
Com contribuição de Bonitão, apareceu na praça um policial que ficou a observar Zé, buscando indícios para condená-lo. Rosa, de certa forma ciente quanto à situação do marido, voltou a suplicar ao marido para ir embora, mas ele estava irredutível. Nessas circunstâncias Bonitão reapareceu e Rosa foi com ele.
Chegou ao local o delegado com alguns policiais, querendo levar Zé-do-burro preso, mas ele se declarando inocente e sem nada a temer afirmou que dali só sairia morto. Logo uma confusão aconteceu e um tiro feriu Zé mortalmente. Os policiais foram embora, o padre se sentiu culpado e os capoeiristas que estavam na praça pegaram o corpo dele e colocaram sobre a cruz levando para dentro da igreja.
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