Este blog tem por objetivo pesquisar a arte da palavra em toda a sua plenitude, multiplicando assim novos conhecimentos.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Síntese da obra "Manuelzão e Miguilim" de Guimarães Rosa
Manuelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa, é um volume composto por duas novelas: "Campo Geral" e "Uma Estória de Amor"."Campo Geral" é o relato lírico da infância do menino Miguilim, narrado em terceira pessoa, sob a perspectiva de Miguilim, menino inteligente e sensível que mora com a família na mata do Mutum (MG).
A narrativa é organizada segundo a vivência e as experiências desse jovenzinho que está constantemente observando as pessoas e as coisas situadas em seu universo sertanejo. Diversas personagens vão sendo apresentadas ao leitor: a mãe; o pai suicida; o padrasto e tio Terêz; os irmãos, principalmente o Dito, que morre prematuramente de tétano; a avó ranzinza Izidra; entre outros.
O leitor vai desvendando a cada passo o mundo afetivo de Miguilim, transbordado de alegrias e de tristezas, misturando-se nele as reflexões e os deslumbramentos. Guimarães Rosa capta o universo infantil, culminando com o deslumbramento dessa criança ao ver o mundo, quando um doutor lhe descobre a miopia.
A segunda novela presente no volume é "Uma Estória de Amor", narrativa que revela o outro lado da vida, a velhice, retratada pela vertente de um vaqueiro que nunca havia se fixado, nem alcançara a estabilidade doméstica, senão no final da vida, já velho. Aos sessenta anos recompõe a família, construindo uma casa e, como promessa à mãe, uma pequena capela na fazenda da qual era administrador.
Manuelzão prepara uma festa para a consagração. A novela registra os preparativos, a chegada dos sertanejos das mais diferentes regiões, a chegada do padre e a própria festa. Toda a história é narrada às vésperas da partida de uma boiada, instrumento de trabalho e da vida do protagonista e que serve de ligação entre o presente e a tessitura das recordações de um passado vivido com o eterno equilíbrio da graça e da desgraça.
As duas novelas completam-se, mostram a infância e a velhice, cujos protagonistas fazem da descoberta e da recordação os pontos altos da matéria literária.
Síntese da obra "Contos Gauchescos" de Simões Lopes Neto
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Trezentas Onças
O narrador Blau Nunes conta que, certa vez, viajando sozinho a cavalo, acompanhado apenas de seu cachorro, levava na guaiaca trezentas onças de ouro, destinadas a pagar um gado que compraria para seu patrão. Um certo ponto da viagem, pára para sestear num passo, onde, depois de uma boa soneca, vai refrescar-se com alguns mergulhos na água fresca.
Tornando a vestir-se e a encilhar o zaino, parte em direção à estância da Coronilha, onde devia pousar. Logo que sai a trotar pela estrada, o gaúcho nota que seu cachorro estava inquieto, latindo muito e voltando sobre o rastro, como se quisesse chamar seu dono para o pasto outra vez. Mas Blau Nunes segue seu caminho até chegar à estância da Coronilha. Lá chegando, ao apear do cavalo e cumprimentar o dono da casa, nota que não estava com sua guaiaca. Anuncia que perdera trezentas onças do patrão e, preocupadíssimo, monta o cavalo outra vez para voltar ao lugar onde teria deixado a guaiaca.
Depois de nova cavalgada, sempre acompanhado do fiel cãozinho, Blau Nunes chega ao passo, já de noite, e não mais encontra a guaiaca no lugar onde tinha certeza de que havia colocado quando se despira para o banho. Desespera-se tanto por imaginar que seu patrão o consideraria um desonesto, que pensa em suicidar-se. Chega a engatinhar o revólver e colocá-lo no ouvido, mas o cusco lambendo-lhe as mãos, o relincho de seu cavalo, o brilho das Três Marias, o canto de um grilo, tudo lhe invoca a presença e a força divina, que o demove daquele ato transloucado.
Assim, o gaúcho reequilibra-se e decide que venderá todos os seus bens e dará um jeito de pagar ao patrão o prejuízo da perda das trezentas onças. E volta para a pousada na estância da Coronilha. É então que tem uma feliz surpresa: sobre a mesa da sala do estanceiro, ao lado da chaleira com que se servia a água do mate, estava a sua guaiaca 'empanzinada de onças de ouro'. Uma comitiva de tropeiros, que chegava à estância no momento em que ele voltava ao passo de sesteada, havia encontrado a guaiaca e a trouxera intacta. E esta foi a saudação que ele recebeu quando entrou na sala:
'-Louvado seja Jesus Cristo, patrício! Boa noite! Entonces, que tal le foi de susto?'
Conto narrado em 1ª pessoa, com muita descrição de paisagem.
No Manantial
Narração em 3ª pessoa. Na tapera do Mariano há um manantial. Bem no meio dele, uma roseira, plantada por um defunto, e gente vivente não apanha flores por ser mau agouro.
Carreteiros que ali perto acamparam viram duas almas: uma chorava, suspirando; outra, soltava barbaridades. O lugar ficou mal-assombrado.
Com Mariano morava a filha Maria Altina, duas velhas, a avó da menina e a tia-avó, e a negra Tanásia.
Tudo em paz e harmonia.
Certa vez foram a um terço na casa do brigadeiro Machado. Maria Altina encontrou o furriel André, e os dois se apaixonaram [conchavo entre o pai e o brigadeiro]. André lhe deu uma rosa vermelha. Em casa, ela plantou o cabo da rosa e a roseira cresceu e floresceu. Surgiu o trato do casamento...o enxoval...
Chicão, filho de Chico Triste, andava enrabichado pela Maria Altina, que não se interessava por ele e tinha-lhe medo.
Na casa de Chico Triste houve um batizado. O pai e a tia-avó foram ajudar. Chicão aproveitou-se, foi à casa do Mariano, matou a avó e quis pegar à força Maria Altina.
Esta, vendo a avó morta, pegou o cavalo e saiu às disparadas, entrando no manantial. Chicão atrás. Ela some e só fica a rosa do chapéu boiando.
Mãe Tanásia, que se escondera e vira tudo, vai à procura de Mariano.
Nesse meio-tempo chegaram a casa os campeiros para comer. Viram a velha morta. Uns ficaram, e outros foram avisar Mariano e procurar Maria Altina....
Mariano apavorou-se, pensando que a filha fugira com o Chicão. Nisso chegou a mãe Tanásia e conta o sucedido. Todos vão ao manantial e encontram Chicão atolado, boiando. Mariano atira e acerta Chicão. O padre que ali está, coloca a cruz na boca da arma e pede que não atire mais. Mariano entra no lamaçal, luta com Chicão e os dois afundam e morrem.
A avó foi enterrada também na encosta do manantial. Uma cruz foi benzida e cravada no solo pelos quatro defuntos.
Mãe Tanásia e a tia-avó foram por caridade, morar na casa do brigadeiro Machado.
E como lembrança do macabro acontecimento, ficou, sobre o lodo, ali no manantial, uma roseira baguala, roseira que nasceu do talo da rosa que ficou boiando no lodaçal no dia daquele cardume de estropícios.
O Contrabandista
Narração em 1ª pessoa. Informações históricas.
O contrabandista é Jango Jorge. Mão aberta e por isso sem dinheiro. Foi chefe de contrabandistas. Conhecia muito bem lugares [pelo cheiro, pelo ouvido, pelo gosto].
Fora antes soldado do Gen. José Abreu.
Estava pelos noventa anos, afamilhado com mulher mocetona, filhos e uma filha bela, prendada, etc.
O narrador pousa na casa dele, era véspera do casamento da filha.
Tudo preparado, Jango Jorge parte para comprar o vestido e os outros complementos de contrabando. É atacado, na volta, pelo guarda que pega o contrabando, mas ele não solta o pacote contendo o vestido e, por isso, é morto. Os amigos levaram o cadáver para casa, contaram como ocorreu e a alegria da festa vira tristeza geral.
Obs.: no meio do conto é contada a história do contrabando na região, do comércio entre os lugares, os mascates...
Jogo de Osso
Narração em 1ª pessoa, bastante descritivo.
Começa, dizendo que já viu jogar mulher num jogo.
Depois descreve a vendola do Arranhão [um pouco para fora da vila, de propriedade de um meio-gringo, meio-castelhano, que tem faro para negócios: bebida, corrida, jogos, etc.].
Certo dia choveu e atrapalhou a jogatina. Cessada a chuvarada, resolvem jogar o osso. [Explica como se desenvolve a jogatina.]
Os jogadores eram Osoro [mulherengo, compositor] e Chico Ruivo [domador e agregado num rincão da Estância das Palmas; vivia com Lalica.
Chico só perde e acaba apostando Lalica. Esta com raiva de Ter sido incluída na aposta, começa a dançar com Osoro [o ganhador] provocando Chico Ruivo, que não aguentando mais, vara os dois ao mesmo tempo com um facão.
O povo à volta grita para que peguem Chico Ruivo, mas ele foge no cavalo de Osoro.
'-Pois é, jogaram, criaram confusão, mas nenhum pagou a comissão...Que trastes!...' [falou o meio-gringo do bolicho]
Síntese da obra "O centauro do Jardim" de Moacyr Scliar
Em um restaurante tunisiano “Jardim das Delícias”, localizado na cidade de São Paulo, Guedali Tratskovsky, filho de imigrantes judeus russos, relembra seu passado na fazenda Quatro Irmãos, situada no estado de Rio Grande do Sul. No ano de 1935 Guedali nasce com uma anomalia mítica, sua fisionomia é a de um centauro.
Seus pais decidem protegê-lo e escondê-lo do mundo. Guedali vive livre no campo e galopa com bastante frequência. Em um de seus passeios conhece um índio chamado Peri e se alegra com a possibilidade de ter um amigo, mas Peri nunca mais é visto.
Quando o filho do fazendeiro vizinho descobre seu segredo, o pai de Guedali decide mudar com a família para proteger o filho. Mudando-se para a cidade, a vida de Guedali se torna ainda mais reclusa e ele se refugia nos livros. Com a idade de vinte anos foge para um circo e passa a se apresentar, supostamente, com um irmão em uma fantasia de centauro. Descoberto pela domadora que se envolvera, foge também do circo.
Guedali conhece outra centaura chamada Tita e passa a viver com ela. Como Tita se ressentia de sua natureza, os dois vão para Marrocos e realizam uma operação que os permitem andar sobre as duas patas traseiras.
De volta ao Brasil, os dois passam a viver uma vida normal, mas por não sentirem aquele mesmo sentimento do início do relacionamento, Guedali trai Tita, mas ninguém descobre.
Tempos depois, Guedali flagra Tita lhe traindo com outro centauro e volta para Marrocos para reverter sua operação. Lá se apaixona por uma esfinge, Lolah, que é assassinada pelo assistente do médico ao tentar ajudar Guedali que desistira da operação.
Guedali volta para o Brasi, se reconcilia com Tita e em setembro de 1973 comemora com os amigos em um bar, o seu 38º aniversário e conta sua história a alguns amigos enquanto Tita conta a uma amiga uma história semelhante, mas sem a existência de centauros.
Síntese da obra "História do cerco de Lisboa " de José Saramago
José Saramago
"A História do Cerco de Lisboa" se divide em duas histórias: a real, do cerco a Lisboa no ano de 1147 (quando os portugueses, com ajuda dos cruzados, tomaram a cidade aos mouros), e a fictícia, que surge aos poucos na cabeça do revisor Raimundo Silva, depois de alterar injustificadamente certa frase nas provas de um livro, mudando a história com a simples força de um "não".
Síntese
Não é Lisboa que está cercada - mas sim a própria história.
Raimundo Silva, revisor de livros, introduz num tratado de história (intitulado "História do Cerco de Lisboa") um erro voluntário: os cruzados não ajudaram os portugueses a conquistar Lisboa.
É um "não" que desvirtua o acontecido, ao mesmo tempo em que exalta o papel do escritor, capaz de modificar tão facilmente o que estava consagrado.
Para além das decorrências dessa história, Raimundo Silva vai viver outra, com sua editora Maria Sara. Juntos, espelham uma história vivida por outro casal, há séculos, durante o cerco de Lisboa.
Neste romance, publicado pela primeira vez em 1987, José Saramago explora com engenho e paixão os espaços da literatura e da história, como já fizera em "Memorial do Convento", "O Ano da Morte de Ricardo Reis" e "Jangada de Pedra", e como viria a fazer depois em outras obras igualmente notáveis, como "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" e "In Nomine Dei".
Raimundo Silva não voltará a ser o sujeito paciente que era, porque seu ato de rebeldia o faz assumir outro posto na vida.
Ao longo da prosa inimitável de um dos maiores escritores da nossa língua, são vários cercos, então, que vão caindo: tanto o cerco histórico da cidade de Lisboa como o imaginário, recontado por Raimundo, e, finalmente, o compreensível, mas inaceitável cerco que o impede de comunicar-se com a mulher do seu afeto.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
UFRGS divulga leituras obrigatórias para o vestibular 2013 em
30 de março de 2012
A Comissão Permanente de Seleção (Coperse) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) divulgou a lista de leituras obrigatórias do vestibular de 2013. Quatro das 12 obras são novidades.
As novas obras são uma seleção de poemas de Gregório de Matos Guerra, além de O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa), Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e Esaú e Jacó, de Machado de Assis.
Confira os demais itens da lista:
— A Educação pela Pedra, de João Cabral de Melo Neto
— História do Cerco de Lisboa, de José Saramago
— O Centauro no Jardim, de Moacyr Scliar
— Contos Gauchescos, de João Simões Lopes Neto
— Manuelzão e Miguilim (Campo Geral e Uma Estória de Amor), de Guimarães Rosa
— O Pagador de Promessas, de Dias Gomes
— Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca
— O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza
Deixaram a relação as obras O Uraguai, de Basílio da Gama, Lucíola, de José de Alencar, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e a seleção de poemas de Álvaro de Campos, também um heterônimo de Fernando Pessoa.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
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